quinta-feira, 12 de Novembro de 2009
Os vampiros
Lembro-me bem deste concerto no Coliseu (em Janeiro de 1983). Estive lá, e o Zeca já estava doente. Cerca de dois anos depois entrevistei-o em Azeitão, com o Carlos Carvalho, para a Antena Um (uma das últimas, senão a última entrevista do Zeca, de que foram posteriormente publicados excertos no boletim da Associação José Afonso). Já o Zeca tinha uma grande dificuldade em falar.
E a propósito dessa entrevista lembro-me de uma história. Convoco a memória: nesse dia, em que fomos a Azeitão entrevistar o Zeca foi connosco a Natércia Campos (quem a conheceu sabe quem era e basta), que antes de ir para a margem sul quis ir levar um bolo (e um queijo também) que tinha feito para o Otelo que estava preso em Caxias. E lá fomos todos, numa carrinha Peugeot 504 da RDP, com motorista, a Caxias levar o bolo ao Otelo, antes de seguirmos para Setúbal. É que, dizia a Natércia, o bolo fica duro se não o levarmos agora e perde a graça. E talvez perdesse. Só que, à entrada da prisão, o cortaram aos bocados para ver se lá dentro ia qualquer outra coisa. Relembrando esse dia: no carro da RDP ia o motorista, de que já não me lembro o nome, mas que esteve sempre solidário connosco, ia eu, o Carlos Carvalho, o Mário Murcho e a Natércia. E nunca me arrependi de ter dito ao motorista para rumarmos para Caxias, antes de irmos a Azeitão.
E esta canção do Zeca calha bem neste tempo de tantos vampiros. E ele há vampiros de que nem sequer suspeitamos. Porque o disfarce é o grande truque dos vampiros.
(Ainda falando de José Afonso, para quem puder, fica também esta sugestão).
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3 comentários:
Grande Zeca! E os vampiros que não abalam!
Que saudades também do Serginho. Do Sérgio Mestre! aqui a tocar flauta é um verdadeiro mestre.
raramente no pós-25 de Abril foram tão necessárias canções como estas.
bejense
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