A Cinco Tons
Um blog do Alentejo com vista para o mundo
Segunda-feira, 19 de Março de 2012
GREVE GERAL
A propósito do Dia do Pai, Luís Afonso no seu melhor
Évora: começa hoje mais um ciclo na Igreja de São Vicente
Hoje
segunda-feira
19 de Março pelas 22h
Jam Session de Contacto-Improvisação
com as vozes de Mara Perfil e Daniel Catarino
Domingo, 18 de Março de 2012
"O grupo que tomou conta (do PCP) ... é suficientemente competente para não permitir que ponham em causa o seu poder"
"Os desempregados são trabalhadores!"
Sábado, 17 de Março de 2012
Salvemos a Pátria
Quando olho para esta foto de Dorothea Lange, tirada no período da Grande Depressão e vejo a profusão de candidaturas expostas na montra de um loja, não consigo deixar de pensar na irracionalidade que se apodera das pessoas em tempos de crise.
Uns porque se julgam os salvadores da pária, outros porque acreditam genuinamente que tais salvadores existem.
As soluções, forçosamente colectivas, passam a ter um rosto, alguém palpável, um estandarte da esperança.
Só que a maior parte das vezes, essa esperança cedo de transforma numa desilusão totalitária...
Do trabalho duro e da arte bruta

Até que desembrulhadas poderiam ser instalações do escultor Javacheff Christo, ainda que este goste mais de embrulhar coisas magnificentes. Possivelmente, se por este sul errasse, teria a gula estética de enroupar estes montões de pedregulhos espalhados ao deus-dará pela folha de cereal. Montões oriundos da despedrega da terra para facilitar a semeadura e a ceifa do grão. Que tanto calhau de granito arrumado pela criação do mundo, eram uma moenga de desarrumação para a produção. Que o digam as aivecas e relhas dos arados que ficavam no fio enquanto o diabo esfregava um olho.
Fito estes enormes ninhos de granito e abala-se-me a imaginação para ponderadas obras de arte. Obras que sem o polimento, a geometria e a finalidade das pirâmides, antes o são de arte bruta. Arte bruta, parida pelo imaginário de Homens compensados entre a rudeza e a delicadeza para com a vida. Porque rude era a lida à unha secundada por carros de parelhas de bois ou muares, ásperos! Porque sabiam ler nas entrelinhas da mãe natureza e acarinhá-la, afáveis! Homens que labutavam duramente, nutridos a mirrados almoços, jantares e ceias na planície heróica.
Sexta-feira, 16 de Março de 2012
Quinta-feira, 15 de Março de 2012
Do Mestre João Chilrito Farias

João Chilrito Farias nasceu a 10 de Novembro de 1928 na Aldeia da Luz. O pouco que sabe das letras e dos números aprendeu na escola da vida, já que na outra não teve o direito de entrar. Manifesta-se no título do seu livro de poesia “Chamam-me Poeta e Artesão porque faço versos e cadeiras”. Mestre digo-o eu, já que de tanto calcorrear a existência tem um “mestrado” concedido pelo mérito nos vários mesteres que lhe calejaram as mãos e o saber. Poeta e artesão foram afazeres de toda a vida, mas também foi ceifeiro, carreiro e trabalhador emigrante.
I
Havia antigamente
Aqui terras baldias
Que pertenciam a toda a gente
Residente na freguesia
II
Até que chegou um dia
Que tudo veio acabar
São essas regalias
Que era bom reconquistar
III
A coutada e o baldio
Património da freguesia
Agora um campo vazio
Que queremos preencher um dia
IV
Não se sabe quem seria
De tudo isto culpado
Certamente não estaria
Por este povo interessado
Ainda
A crise que vivemos não tem só a ver com factores externos. Tem a ver com o roubo continuado a que temos sido sujeitos.
Quarta-feira, 14 de Março de 2012
"Exposição Itinerâncias: Artes Visuais, Design e Género"
Formas de força no protesto social
A partir da Andaluzia faz-se do "flamenco" uma arma de luta contra os abusos da banca.
Ora em intervenções a solo, ora em grupo, "portadores de flamenco" irrompem de surpresa nas agências bancárias e, por um breve lapso de tempo, apoderam-se delas.
Com a esperança num julgamento da banca e dos governos corruptos em Nuremberg, estas ações são uma pequena amostra do que está para vir, avisam os promotores desta forma de intervenção. E apelam ainda a que se junte o nosso ao seu protesto.
Assembleias de Rua
Terça-feira, 13 de Março de 2012
Como dispersar manifestações – Almanaque Bertrand de 1908

Ontem, como hoje. Método, por enquanto, assegurado. Amanhã!?...
(gentilmente cedido por um companheiro)
Ó shô Relvas, veja lá como pode diminuir a despesa sem lixar quem trabalha
COMUNICADO COMISSÃO DE TRABALHADORES DA RTP
EXIGIMOS TRATAMENTO IGUAL AO DAS EMPRESAS PÚBLICAS “ADAPTADAS”
Nos últimos dias, os trabalhadores da RTP foram confrontados com o anúncio de que os trabalhadores da TAP e Caixa Geral de Depósitos iriam ser (e muito bem) isentados da redução salarial imposta pelo Orçamento de Estado de 2012, após pedido das administrações destas duas empresas ao Ministério das Finanças.
O governo da República, através do omnipresente ministro Miguel Relvas, explicou ao país que não se tratava de uma exceção, e sim de uma “adaptação” – justificada por estas empresas se encontrarem em concorrência e em fase de privatização.
Para além disso, segundo a opinião da Secretária de Estado do Tesouro, Maria Luís Albuquerque, veiculada numa desastrada e inacreditável entrevista ao Telejornal, as empresas do sector empresarial do Estado “têm acordos de empresa muito generosos”.
Muito generosos? Fala de quê a Srª Secretária? Dos familiares de ministros, contratados para os gabinetes com a atribuição de subsídios extra em Junho e Novembro ou dos salários dos administradores isentos da limitação imposta aos gestores públicos?
Os trabalhadores não milionários da RTP, a quem é aplicado o Acordo de Empresa, e não os contratos individuais das vedetas ou o estatuto de administrador, têm a comunicar à Srª Secretária de Estado que a tabela salarial nesta empresa começa nos 690 euros e acaba nos 4596 euros.
E que estes mesmos trabalhadores não foram nunca tratados como Função Pública para algo que os beneficiasse, tendo sido aumentados abaixo do valor real da inflação quando os funcionários públicos, e muito bem, foram aumentados em 2,9%.
Não está a RTP em concorrência? Então a novela das audiências e a carta da administração à CAEM, são o quê? Manias?
Não está a RTP em processo de privatização? Ou estará a ser nacionalizada pelo governo de Angola?
Da isenta de cortes e altamente concorrencial administração do Dr. Guilherme Costa, os trabalhadores exigem que requeira de imediato ao Ministério das Finanças um tratamento de equidade para a RTP.
É o mínimo que pode fazer depois de ter apresentado lucros de 18 milhões de euros obtidos à conta dos seus trabalhadores, e depois de ter assistido ao exemplo de “decência social” dado pelos gestores da TAP e Caixa Geral de Depósitos.
Se é verdade, como explicou a Srª Secretária de Estado, que o que interessa nas “adaptações” é a poupança global na massa salarial ser a mesma, então:
Que se “adaptem” os vencimentos de todos os que trabalham para a RTP – incluindo estrelas e administradores que, não o sendo, são tratados como tal – tendo em conta o teto máximo defendido pela Comissão de Trabalhadores: 6.980 euros.
Que se “adaptem” os Mercedes Benz e os Lexus.
Que se “adaptem” as despesas de representação.
Que se “adaptem” as festanças e ações de marketing vazias.
Que se “adaptem” os cartões de crédito.
Mas que não se adapte a vida daqueles que, ganhando muito abaixo do que o povo pensa, pagam as favas dos vencimentos e cachets milionários da minoria.
Aquilo que já não é possível adaptar, é a nossa paciência, porque essa, Srª Secretária de Estado, é a única coisa que nesta empresa tem sido muito generosa.
Secretariado da Comissão de Trabalhadores da RTP."
Senhora da vida
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| foto de óleo sobre tela tirada daqui |
borbotos grávidos de seiva promessa
folhinhas verdes prestes a chegar
verde sombra depois se tornarão
derramando-se pelo chão
por ora és a primavera sempre nova
ciclo novo da vida renovada
a irromper
dá-me senhora da vida
senhora da esperança de todas as esperanças
olhos para ver
quando o horizonte longe perto
procuro
a beleza que nos cerca
e a todos se dá gratuita
sem nada esperar em troca
presença silenciosa
dominando a fealdade
da usura da guerra
da violência da guerra
anunciada
já implantada
em morte semeada
entre escombros
de cidades e mais cidades
cemitérios
de homens
mulheres
crianças
de todas as idades
não nos faltes senhora da vida
dá-nos
dá-nos olhos para ver
a beleza que tu és
que a todos e tudo cerca
mesmo nas cidades devastadas
onde a humilde erva
de ti irrompe
na esperança dos jardins
cidades um dia
em silêncio projectadas
construidas
pelas mãos de homens construtores
que em esforço e alegria, senhora da vida
na sua humanidade assumida
delinearam sítios
edificaram lares e lugares
terra selvagem transmutavam
o caos em ordem vital
em habitat de mais humanidade
portadorade vida senhora
desejo de mais ser
que por equívoco
a si mesma se destrói
enquanto gera oh mistério
construtores de novas cidades
que dos escombros surgirão
lugares projectados
por amor por teu amor
senhora da vida no coração
Margarida Morgado
Évora, 12-03-2012
Depois de interrompidos durante alguns meses...
Acrópole XXI: Câmara de Évora adjudica empreitada
O que alguns só agora parecem começar a perceber
E gente desta diz-se gente?
Andam os patrões ensandecidos porque os sindicatos reivindicam o aumento do salário mínimo que está - e muitos sabem-no porque é o único dinheiro que recebem - nos 485 euros. A proposta da CGTP é que suba para 515 euros, ou seja 1 euro por dia. Já veio o coro dos bandidos protestar. Dos que gastam vários 30 euros por dia apenas em almoços e jantares. E, por certo, amanhã todos se vão benzer nalguma pia de água benta. Que a pia se transforme em penico e seja mijo o que recebam na fronte!















