terça-feira, 9 de Fevereiro de 2010

Estou fartinha dos Crespos e das Mouras Guedes desta vidinha...

"Em tudo isto só há uma pequena, pequeníssima, questão que me confunde: é que todos os que se queixam de restrições e atentados à (sua) liberdade de expressão têm colunas, secções em jornais e revistas, programas na televisão e na rádio, blogues e outros meios que tais. Reservam-se o direito de opinar sobre tudo e mais um par de botas, de dizer tudo quanto querem sobre este e aquele incluindo o Sócrates.
Querem MESMO falar de condicionamento, de restrição à liberdade de expressão? Experimentem ouvir os anónimos que diariamente se sujeitam a tudo nos empregos, nas escolas onde têm os filhos, nos hospitais onde são (pouco) tratados, nas repartições públicas onde tentam entregar um simples documento. Perguntem a um desses cidadãos, que não tem audiência, o que é lidar com um tiranete de secretária, ouvir os ralhetes de um médico que tem a mania que o povo é sempre burro, aturar a má educação de um funcionário de balcão que abusa do tempo e da paciência de qualquer utente.
Honestamente estou fartinha dos Crespos e das Mouras Guedes desta vidinha..."

S.
09 Fevereiro, 2010 17:43

Psicologia de bolso

A paranóia isola. Impede-nos de participar civilmente. A desconfiança de todos contra todos é contrária à democracia. Octavio Paz definiu-a de um modo muito simples e profundo: “Não é um projecto sobre o futuro: é um método de convivência civilizada. Não se propõe mudar-nos ou levar-nos a qualquer parte; pede que cada um seja capaz de conviver com o seu vizinho, que a minoria aceite a vontade da maioria, que a maioria respeite a minoria e que todos preservem e defendam os direitos dos indivíduos”.

Faces ocultas, jornalistas perseguidos… Estes problemas têm que “ter solução", pá.

Paula de Deus: vice-presidente da CCDRA

Já está completa a nova direcção da CCDRA, bem como a equipa dirigente do INAlentejo. A antiga deputada socialista, por Évora, Paula de Deus fica na vice-presidência da Comissão de Coordenação e Joana Neves como vogal não executiva do INAlentejo. Segundo uma nota interna assinada pelo presidente da CCDRA, João Cordovil,  "já está definida a composição da nova Equipa Dirigente da CCDR ALENTEJO, sendo Vice-Presidentes a Drª Lina Jan e a Drª Paula Nobre de Deus, que em breve iniciarão funções.  Está igualmente definida a nova composição da Comissão Directiva do INALENTEJO, sendo os novos Vogais o Dr. Manuel Nobre (Vogal Executivo) e a Prof. Drª Joana Neves (Vogal não Executivo). Mantêm-se em funções os Vogais indicados pelos Municípios, Fernando Caeiros (Vogal Executivo) e Alfredo Barroso (Vogal não Executivo). Como é do vosso conhecimento o Presidente da CCDRA preside, por inerência, à Comissão Directiva do INALENTEJO".

Pois! O que vale é que a liberdade tem as costas bem largas

Anda por aí um manifesto a que o Paulo Nobre já se referiu aqui no acincotons. Um manifesto que se afirma a favor da liberdade e que corre a blogosfera apelando para uma manifestaçao na quinta-feira junto ao Parlamento. Têm também um abaixo-assinado na Internet, onde se pode ler que “o primeiro-ministro de Portugal tem sérias dificuldades em lidar com a diferença de opinião. Esta dificuldade tem sido evidenciada ao longo dos últimos 5 anos, em sucessivos episódios, todos eles documentados. Desde o condicionamento das entrevistas que lhe são feitas, passando pelas interferências nas equipas editoriais de alguns órgãos de comunicação social, é para nós evidente que a actuação do primeiro-ministro tem colocado em causa o livre exercício das várias dimensões do direito fundamental à liberdade de expressão”. 

Também eu tenho dúvidas sobre a actuação de José Sócrates e considero que na sucessão de casos que o têm envolvido subsistem sempre suspeições e já começa a não ser aceitável que um primeiro-ministro tenha tantos “rabos-de-palha”. Não é único, todos os políticos – e eu lembro-me do tempo em que a AD controlava, com braço de ferro, a comunicação social – sempre tentaram controlar e dirigir a comunicação social: é algo inerente a quem detém o poder. Mas não é por isso, claro, que devemos ignorar a actuação do actual primeiro-ministro e do governo no silenciamento das opiniões diversas. 

Dos subscritores iniciais deste manifesto conheço talvez meia-dúzia. Nunca por nunca, mas mesmo nunca, em nome da liberdade, poria o meu nome ao lado do deles. Os que conheço pessoalmente ( e alguns que conheço apenas de nome) têm andado desde sempre enredados em jogos de influência e de poder, apoiantes, na generalidade, de todos os esgares mais conservadores e retrógrados da sociedade portuguesa, situem-se à esquerda ou à direita do espectro político. Poderei estar com eles, algum dia, numa iniciativa concreta que tenha a ver com o bairro onde moramos ou a escola onde temos os nossos filhos. Mas, em nome da liberdade, juntar a minha voz à daqueles que sempre acharam “jeitoso” calar as vozes diferentes e divergentes e que hoje tomam partido apenas em nomes dos interesses e das estratégias particulares  em que se movem: NÃO, OBRIGADO!

Caminhamos para aqui?


Hugo Chávez "de repente" na rádio
Ninguém cala Hugo Chávez que agora fala na rádio sem hora marcada. Além das aparições televisivas, o presidente venezuelano agora pode ser ouvido na rádio a qualquer momento, esteja o que estiver a dar em antena, como conta na Antena 1 a jornalista Raquel Morão Lopes.

A liberdade de imprensa, censuras e poderes

Tenho acompanhado com estupefacção e preocupação o caso do conflito aberto entre o jornalista Mário Crespo e o primeiro-ministro, que surge pouco tempo depois do caso do artigo fabricado sobre as escutas à presidência e do caso Manuela Moura Guedes e TVI. Intensificam-se as acusações e suspeitas de interferência do poder político nos media e de condicionamento da liberdade de imprensa.
No índice de liberdade de imprensa todos os anos publicado pela Organização Reporteres Sem Fronteiras (RSF), Portugal ocupava em 2009 o trigésimo lugar. Embora com uma acentuada queda de 14 lugares face ao ano anterior, ainda assim acima da Grécia (35 posição), França (43) Espanha (44), Itália (49). Não quero com isto dizer que a situação não seja grave mas é também de salientar que, de acordo com a RSF a liberdade de imprensa decresceu substancialmente em toda a Europa.
Nos últimos 15 anos em Portugal (e também em Espanha) assistimos, ao mesmo tempo, à saída em massa de novos jornalistas das universidades e a uma crescente tomada de controlo dos meios de comunicação social pelos grandes grupos económicos. A excepção na Península Ibérica foi o jornal El País que se tornou ele próprio num império chamado PRISA. Sim, a mesma PRISA que detém 90 por cento do capital da TVI e que tem sido desde sempre acusada de alinhar com o Partido Socialista espanhol. E, curiosamente, a mesma PRISA de quem Berlusconi tentou comprar o sector audiovisual, como noticiou a imprensa espanhola (El Mundo, 09/10/2009) no final do ano passado.

Mas, voltemos a Portugal. Como consequência da concentração dos media em grandes grupos, assistimos também ao encerramento de muitos jornais de pequena e media dimensão, que eram propriedade de jornalistas e para quem se tornou impossível competir com os tais impérios. A situação profissional dos jornalistas degradou-se significativamente, muitos perderam mesmo o posto de trabalho. Os que teimavam em alimentar o sonho do jornalismo tiveram que se submeter a salários de menos de 400 euros (a recibos verdes) e a horários de 12 horas, mesmo em jornais nacionais. Apenas os opinion makers tinham (e têm) direito a salários decentes. Os jornais tornaram-se clubes ou famílias (basta abrir o jornar olhar para os apelidos), e os seus directores começaram o “namoro” com os poderes de modo a garantir a sobrevivência.
Não é de admirar que a censura tenha regressado. Mas uma censura que começou na cabeça de cada jornalista e dentro de cada redacção de jornal. E também não é de admirar que os ‘poderes’ tivessem começado a retirar dividendos da situação de dependência em que se encontram os jornalistas. O que sim é de admirar é que o Sindicato de Jornalistas nunca sobre tal se tenha pronunciado, nunca se tenha indignado com as condições de trabalho dos jornalistas. Apenas se ouviram protestos sobre a extinção da Caixa de Jornalistas a que os ‘tarefeiros jornalistas’ que enchem as redacções nem sequer tinham acesso.
E eu que pensava que os sindicatos serviam para defender os trabalhadores de determinada classe profissional. Afinal este parece mais preocupado em defender a elite dessa classe. A mesma elite que, de namoro com os ‘poderes’ contribuiu para que a situação chegasse a este ponto! Só a internet nos poderá salvar, pelo menos até que encontrem maneira de a controlar também.

Alentejo, vinte anos depois

Publiquei aqui uma declaração que proferi, há vinte anos, enquanto presidente da AMDB, no acto de assinatura do contrato para a elaboração do PIDDBE – Plano Integrado de Desenvolvimento do Distrito de Beja. Duas décadas passadas, e quase tudo o que então disse mantém-se actual.
A discussão que esta publicação gerou está-se a mostrar interessante, incluindo propostas concretas, como a de Ana Paula Fitas de elaboração de um “Caderno Cívico para a Revitalização do Alentejo”.
E porque não discutirmos aqui esta e, eventualmente, outras propostas convergentes na necessidade de nos envolvermos na tentativa de encontrarmos novos caminhos que contribuam o que chamei de “maior denominador comum para o desenvolvimento do Alentejo”?

segunda-feira, 8 de Fevereiro de 2010

O Estado sou eu

Deus morreu, Marx morreu e eu próprio não me sinto lá muito bem.
É este o retrato do partido actualmente no poder. Aderente entusiasta da “real politic”, o partido liderado por José Sócrates é isso mesmo, um conglomerado de interesses, sem referências, condenado a governar à vista, dependente de lideranças conjunturais, forçado a reagir mais do que a determinar a sua própria agenda.
Partido laico, que meteu o socialismo na gaveta e que por via disso, perdeu as referências ideológicas.
Só assim se entende o percurso ziguezagueante das suas reformas; da educação à saúde, da justiça à reforma fiscal, passando pela administração pública, tudo no governo deste partido é fachada inconsistente, pastiche político, governação “a la carte
Manipulam-se dados estatísticos, distorcem-se verdades, sufoca-se o contraditório, recorre-se ao “Photoshop” e eis o país moderno, das energias renováveis, das grandes vias, dos grandes investimentos públicos, criadores de riqueza e bem-estar.
O Sistema nacional de saúde não funciona?
O ensino é uma linha de montagem que produz licenciaturas de pacotilha para ajeitar os números do sucesso?
As Universidades estão sufocadas?
As crianças não têm creches?
Os professores estão desmotivados?
O desemprego aumenta?
O subsídio de desemprego cobre apenas uma parcela mínima de desempregados?
Os salários da função pública cristalizaram na noite dos tempos?
Os impostos são cada vez mais altos?
Os meses cada vez maiores?
Isso é ficção.
Isso são histórias criadas por desestabilizadores, para diminuir a grandiosa obra do partido no poder.
A solução?
Calar os energúmenos, silenciá-los de uma vez por todas.
Quem não é pelo partido do poder, é contra o Estado.
Quem não aplaude está contra a nação.
Porque a nação é o partido no poder.
Porque a nação se contém nas instituições de crédito, nas seguradoras, na galp, nas mais-valias bolsistas, nas belas negociatas que por aí se fazem.
Luís XIV, José Sócrates dois homens o mesmo lema:
O Estado sou eu…

M. Sampaio
08 Fevereiro, 2010 10:35

Responsabilidade política

Sou dos que não entende que os políticos tenham de ser pessoas puras ou incapazes de “pisar o risco”. Mas acho que devem ter um bom comportamento cívico e político, insusceptível de gerar desconfiança nos cidadãos.

António Guterres demitiu-se por considerar que o país estava a entrar num pântano. António Vitorino demitiu-se por terem levantado dúvidas sobre o pagamento da sisa de uma propriedade que comprou. Jorge Coelho demitiu-se na sequência do acidente na ponte de Entre-os-Rios. Carlos Borrego e Manuel Pinho demitiram-se ou foram demitidos por graçolas. Murteira Nabo e Miguel Cadilhe demitiram-se ou foram demitidos por não terem pago o devido valor de Sisa. Outros exemplos se poderiam dar de demissões de governantes devido a impotência política face a problemas da governação com que se defrontaram ou por comportamentos cívicos e políticos menos correctos.

É neste quadro, e apesar de sermos uma nação de brandos costumes, que devemos analisar os “casos” que, cada vez mais, atingem a imagem e a honorabilidade de José Sócrates. O seu nome tem sido envolvido em inúmeros “casos”, que não só põem em causa o seu carácter mas também, e principalmente, a sua acção enquanto ministro e primeiro-ministro, chegando ao ponto de um juiz considerar que podia estar a desrespeitar o estado de direito democrático.

É aqui, que nos devemos concentrar, na avaliação da responsabilidade política de José Sócrates. “À mulher de César não basta ser séria, tem de parecer que é séria” é uma frase antiga, repetida vezes sem conta. É também isso que se espera de um primeiro-ministro. Ele até pode ser sério, mas cada vez há mais gente que não acredita na sua seriedade, incluindo muitos dos que têm apoiado a sua acção, quer enquanto líder do PS quer como primeiro-ministro.

Será que perante esta perda progressiva de confiança que José Sócrates tem vindo a registar, se as oposições se apresentassem com alternativas credíveis ele ainda se mantinha como primeiro-ministro e, até, como líder do PS? Não creio. Julgo que os portugueses estão a ser tolerantes com os alegados “crimes de corrupção e de lesa estado de direito democrático” com base no mesmo princípio que reelegem autarcas e outros líderes “corruptos” ou acusados dos mais variados crimes, ou seja, o do mal menor.

A questão que se coloca, face a esta situação, é a de saber até quando José Sócrates vai continuar a ser considerado um “mal menor” e passa a ser considerado “o mal maior”. Ou se, inspirado em António Guterres, considera que já está demasiado “atascado no pântano” e dá o lugar a outro. Se já o tivesse feito ou se ainda lhe restar algum “benefício da dúvida” talvez o PS pudesse continuar a governar com outro primeiro-ministro. Será que o PS é capaz de fazer esta avaliação?

Por falar em comunicação

"A arte de narrar está em extinção. É cada vez mais raro encontrar pessoas que saibam narrar qualquer coisa com correcção.
Quando alguém manifesta o desejo de ouvir uma história, é cada vez mais frequente surgir o embaraço entre as pessoas que o rodeiam. É como se uma capacidade que nos parecia inalienável, a mais segura de todas, nos tivesse sido tirada: a capacidade de trocar experiências.

Uma das causas deste fenómeno é evidente: a experiência está em crise e assim continuará indefenidamente. Sempre que olhamos o jornal, verificamos que essa crise se aprofunda mais, que de um dia para o outro, não só a imagem do mundo exterior mas também a do mundo moral, sofreram alterações até aí consideradas impossíveis. "

Assim escreveu Walter Benjamim, crítico literário, tradutor, filósofo e sociólogo judeu alemão, na década de 30 do século passado, num livro intitulado " Sobre Arte, Técnica, Linguagem e politica". O seu brilhantismo ter-lhe-à permitido projectar uma antevisão do Portugal de 2010, ou quê? E será possível interromper o filme?

Notícia no i: Todos pela Liberdade


Autores de blogues de direita e esquerda criticam primeiro-ministro pela "alegada estratégia de condicionamento da liberdade de imprensa em Portugal". Marcaram uma manifestação para quinta-feira, frente ao parlamento e lançaram hoje uma petição.

Redondo: passeio ao mundo dos cogumelos

Sábado, dia 13 de Fevereiro, eis uma óptima sugestão para uma saída de campo. O tema é " O MUNDO DOS COGUMELOS". As inscrições podem ser feitas até ao dia 11, quinta-feira.  
A riqueza micológica do Alentejo é bem conhecida dos amantes destas iguarias gastronómicas. Nesta saída de campo interpretativa poderá descobrir os recursos micológicos existentes no concelho de Redondo e aprender qual a importância ecológica destas iguarias nos ecossistemas, bem como descobrir de que forma o Homem se tem relacionado com este importante recurso. Ao longo de um percurso pedestre será levado a explorar toda a diversidade de formas, cores, sabores e odores dos macrofungos desta região.

Programa
9h30 | Recepção aos participantes no Centro de Acolhimento do Ecomuseu de Redondo.
9h45 | Percurso micológico.
13h30 |Almoço (trazido pelos participantes) no Centro de Acolhimento do Ecomuseu de Redondo.
14h30 | Breve sessão teórica.
15h30 | Sessão de identificação macroscópica de cogumelos recolhidos no campo.
17h30 | Encerramento das actividades.  
local Ecomuseu de Redondo   
formador Luis Morgado (Núcleo micológico do CEAI).
Inscrições até dia 11 de Fevereiro (máximo de 20 participantes). A inscrição inclui seguro de acidentes pessoais e documentação de apoio.   
Contactos: Carolina Bloise | cbloise@ceai.pt | 266 746 102  
Sugestões Trazer vestuário e calçado apropriado para andar no campo, água, merenda, almoço para pic-nic, cesto de vime (ou semelhante), canivete, guia de campo micológico, máquina fotográfica.  
Organização CEAI, Câmara Municipal de Redondo.

Um homem só: os acrobatas também caem

wehavekaosinthegarden

Nada tenho contra o ser humano  José Sócrates, enquanto tal. E nada espero de um primeiro-ministro. Seja este ou outro. Não votei neste nem votarei noutro qualquer. Sou claro. É um "balho" que me fica largo. Não sou, nem pertenço, ao clube eleitoral. Mas sou cidadão. Olho, leio, vejo e entendo. E acho que, à margem de todas as leituras que se façam do "reinado" de José Sócrates, este é um episódio que está a chegar ao fim, apesar das eleições terem sido há apenas 5 meses. O simples facto da generalidade da população achar que Sócrates poderia ter feito tudo o que a comunicação social diz que fez é sintomático de que o primeiro-ministro neste momento é um homem só, a tentar equilibrar-se, mas que, se não souber sair pela boca de cena o mais rápido possível, se vai estatelar em grande no chão do palco onde todo os dias se repete o mesmo número do espectáculo: o primeiro (ministro) e a sua imagem a moverem-se num terreno surreal a que chamam o país que temos. Mas que é outro, e bem diferente, do que imaginam.

"A Primeira República" em Montemor-o-Novo

domingo, 7 de Fevereiro de 2010

“Alguém nos há-de salvar”!? Que treta! A emancipação dos trabalhadores é obra dos próprios trabalhadores

Tenho andado aqui a escutar analistas, jornalistas e outros “istas” ligados à política e que de um dia para o outro, salvo raras excepções, descobriram agora que o país está em maus lençóis, como se diz na minha terra!
O problema é antigo, começou no 1º quadro comunitário, quando os fundos foram entregues a quem foi escolhido para comprar quintas, carros, propriedades, para se construírem grandes piscinas e casas de férias.
Foi assim no Sul e no Norte. Toda a gente sabia, mas os governantes deixavam e o povo português tem um ditado para este tipo de coisas "quem teve unhas tocou guitarra”.
As empresas criadas no início estão praticamente todas fechadas, as que sobrevivem, salvo raríssimas excepções, ou continuaram a ter apoio dos quadros seguintes, das medidas de apoio extraordinárias ou dos programas criados de cada vez que o barco tremeu, ou são aquelas que não tiveram apoios. Dêem-se ao trabalho de verificar se estou ou não a dizer a verdade!
Hoje, com quadros comunitários mais apertados, com uma crise internacional, a nossa fragilidade ficou à vista!
Mas, mesmo assim, e quando verificamos que os exemplos que chegam de cima são mais uma vez “quem tem unhas é que toca guitarra”, voltamos a safar-nos como podemos. As empresas não podem aceitar trabalhos, porque à boleia da crise despediram os funcionários, e agora não podem num prazo curto de tempo colocar outros, então o mais simples é não aceitar as encomendas (este facto constatei-o eu mesma, ninguém me contou)!
Tenta-se enganar o Fisco, afinal os de cima também o fazem!
Tenta-se fazer um trabalhinho sem papéis, pois está-se reformado, e se os de cima podem ter reformas milionárias e continuar a trabalhar, porque não nós?!
Tenta-se um apoio para o pai, que já tem uma certa idade, e não precisa de apoio, mas se os profissionais liberais que só apresentam os rendimentos que querem, podem ter bolsas para os filhos e para os pais porque não nós?!
Continua-se a pratica do “Alguém nos há-de salvar", sempre foi assim. Porque seria agora diferente?
E apesar das catástrofes agregadas agora aos ventos, encolhemos os ombros e continuamos nós, e os que por nós decidem, a fazer orelhas moucas e a viver de fachada!
Um dia isto rebenta, disto não nos podemos escapar, a não ser que os nossos dirigentes mudem de caminho e nos obriguem a mudar! 

Anónimo 
07 Fevereiro, 2010 18:32

Évora: Quinta do Chantre, quem lhe acode?

Eu conheci o Palácio e a Quinta. Actualmente o edifício, de interesse histórico, foi alvo do vandalismo, desde pilhagem até a um acto, que acho cruel e bárbaro, de atear fogo às portas e estruturas de madeira do edifício. Se calhar foi uma encomenda dos senhores do betão para desvalorizar o património.
O que devia ser um espaço da cidade cheio de vida é hoje um poço de destruição e tristeza!
O património da nossa cidade, herdado e com enorme valor cultural e histórico, encontra-se neste pobre e miserável estado.
Tomara muitas cidades terem acesso a um património destes.
Quem não respeita o passado não tem futuro!

j.malagueira
(recebido por email)
(mais sobre a Quinta do Chantre ver: AQUI e AQUI)

Alentejo no seu esplendor

Esta fotografia também é minha e retrata uma paisagem do concelho onde nasci - Vidigueira -, tirada da estrada de Selmes - Pedrógão do Alentejo, virado para o Mendro.

Turma da Mónica explica Acordo Ortográfico

 (clicar na capa para ver a revista)
Há uns dias, exagerando, publiquei aqui um post, algo irónico, sobre o facto da agência Lusa começar a usar o acordo ortográfico nas suas notícias. E não foi difícil a adaptação. Pouca coisa mudou e a escrita não ficou "abrasileirada" como tantos temiam. Enquanto não se divulgam mais os corretores adaptados à nova grafia há jornais e outros meios de comunicação, sobretudo na Internet, que adoptam as duas formas de escrita: a de antes do acordo e a pós-acordo. E coexistem pacificamente. Mas vem este post a propósito de uma publicação brasileira - A Turma da Mónica - que decidiu fazer uma revista sobre o acordo ortográfico explicado aos mais pequenos. Mas serve para todos. Para saber o que muda e não muda e desfazer mitos. Agradeço ao meu companheiro Emídio Fernando, da TSF, que me chamou a atenção para esta publicação já antiga, mas sempre interessante.

Câmara de Ar


É inadmissível que uma parte da Rua de Alcoutim (em Évora), a que dá acesso a uma das ruas mais “importantes” da cidade, a rua de Serpa Pinto, esteja fechada à passagem quer de peões quer de automóveis. Um dos prédios está em risco de derrocada. Mas não seria possível aplicar uma solução técnica, mesmo provisória, que tornasse a rua de novo transitável?

O centro histórico está quase deserto, com uma população envelhecida. Pelo menos na freguesia de Santo Antão é frequente verem-se ambulâncias e, ontem, lá andava uma do INEM às voltas e mais voltas para socorrer uma moradora de idade avançada.

A desertificação dos centros históricos é um problema nacional. Até a Baixa em Lisboa está às moscas. Acho, porém, que em Évora o conceito de cidade-donut está em risco de se tornar obsoleto. Cidade-Câmara-de-Ar parece mais ajustável à situação que vivemos. Os habitantes do centro histórico são já uma espécie de Últimos Moicanos.

Face Oculta: Sócrates não vai sobreviver...

... (politicamente) a este caso, disse há minutos Clara Ferreira Alves, uma habitual apoiante do PS e de José Sócrates, na SIC Notícias. A Face Oculta, seja através de "jornalismo de buraco de fechadura", seja através do que for, ameaça tornar-se ainda mais num pesadelo para José Sócrates e para os elementos que lhe são mais próximos.

sábado, 6 de Fevereiro de 2010

Évora: este domingo nos Celeiros

A ARCA DE NOÉ 
10h30 | 7€ (criança e acompanhante)   
Nesta oficina para crianças dos 3 aos 5 anos, vamos continuar a contar e Dançar a história da Arca de Noé. Depois de termos salvo alguns Animais, o senhor Noé precisa novamente da nossa ajuda para salvar outros Animais do dilúvio. Depois de Dançar com o coelho, com o Cavalo ou com a Borboleta, vamos ver quem precisa da nossa ajuda. Será que vai haver novamente um pouco de Sol para que os Coelhos possam sair da toca? Será que a Borboleta vai Dançar com o Cavalo? Ou será que vamos Dançar com outros Animais?


A VOLTA AO MUNDO
11h30 | 7€ (criança e acompanhante)
Nesta oficina para crianças dos 6 aos 10 anos vamos continuar a dar a Volta ao Mundo a Dançar.Começámos a nossa viagem em Portugal e fomos até Viseu onde nos encontrámos com outros amigos num jardim muito lindo, no jardim da Dona Celeste.
Nesta viagem andámos em diversos meios de transporte: alguns foram de autocarro, outros de comboio e alguns apanharam boleia com os Pais e foram de mota. O curioso é que dançámos tudo isso, viajando pelo Mundo da expressão, da criatividade do lúdico...
Onde iremos viajar desta vez? Será que vamos dar mais um passeio no Jardim da Celeste ou será que vamos fazer uma viajem bem maior? Será que vamos dar mais uma volta de Mota com os nossos Pais?

 mais informações_ luisa@pedexumbo.com | 95 873 33 53
 (fonte: pedexumbo)

A Vagina

Gustave Courbet (1819-1877) 
L'origine du monde (A origem do mundo), 1866
Óleo sobre tela; (46x55) - Musée D'Orsay, Paris, França.

Não posso dizer que seja um tema que me preencha...
Mas como esteta, ou como exegeta, a vagina mexe comigo.
É ela o verdadeiro "big bang", o primordial.
A vagina é sem sombra de dúvida o grande barómetro civilizacional.
Diz-me como a tratas, dir-te-ei quem és...
Hoje é um dia importante, um dia de meditação.
De dizer não a todas as discriminações e de entre elas, a esta, talvez a mais ignóbil, a mais redutora da condição humana.
Deixo aqui uma ligação, um contributo, sei que é longa, mas asseguro-vos que vale a pena.
(existe legendagem em português se forem aos "subtitles") 
Amigas/os vejam e meditem.
A vagina é cultura!

M. Sampaio
06 Fevereiro, 2010 12:22

Vila Viçosa: presidente da Câmara fala de "casos caricatos" nos programas de apoio

O primeiro-ministro esteve hoje em Vila Viçosa na cerimónia de adjudicação das Redes de Nova Geração. São 156,5 milhões de Euros que vão permitir a ligação em alta velocidade de 139 municípios de todo o país (27 deles alentejanos), num total de mais de um milhão de pessoas que habitam o interior. 

O "prato forte", no entanto, foram as declarações de José Sócrates sobre o "jornalismo de buraco de fechadura" a propósito das notícias veiculadas ontem pelo semanário SOL

Aproveitando a presença de José Sócrates em Vila Viçosa, o novo presidente da Câmara, eleito pelo PS nas últimas eleições, Luís Roma, deixou dois pedidos ao primeiro-ministro. Um sobre a coesão nacional, Outro sobre a burocracia que envolve os programas de apoio, nomeadamente o QREN. Disse o autarca, dirigindo-se a José Sócrates e com a Madeira no horizonte: o Alentejo "necessita e precisa de alguém que, orientado pelo principio de coesão nacional, inverta as assimetrias que ainda hoje se verificam. E faço-lhe este pedido porque na falta da regionalização só o sr. Primeiro-ministro nos pode defender doutras regiões que, como cantava Zeca Afonso, "comem tudo e não deixam nada".

O autarca pediu ainda a intervenção de José Sócrates "no sentido de simplificar e aligeirar os procedimentos e requisitos necessários à candidatura e prossecução dos projectos candidatos aos programas de apoio, dado que há muitas vezes exigências de que não se consegue entender o alcance e a necessidade". E deu dois exemplos "caricatos, mas verídicos". Assim, disse Luís Roma, "foi exigido a uma autarquia a apresentação do registo de propriedade de uma estrada camarária e noutro caso, de outra autarquia, a declaração de início de actividade. O que é verdade é que a execução é muito baixa e temos pressa em andar para a frente". 

Um nóvel autarca sem "papas na língua".

Calçada de laranjas


Dia Contra a Mutilação Genital Feminina

 

O Dia Internacional de Tolerância Zero à Mutilação Genital Feminina (MGF) celebra-se hoje, alertando para um problema que afeta 140 milhões de mulheres e meninas, segundo as Nações Unidas, que aponta ainda para três milhões em risco anualmente. Na Europa, de acordo com dados do Parlamento Europeu, vivem 500 mil mulheres e jovens que foram vítimas da prática, estando 140 mil em risco anualmente. Perante este cenário, a Amnistia Internacional apela à atenção das estruturas comunitárias, salientando a necessidade de passar à prática.

Bom fim-de-semana


Electropolis from Kevin McCullough on Vimeo.
Eis o resultado de cerca de 7 meses de trabalho de 13 estudantes do 3º ano da BAA programa de Animação do Sheridan College, em Oakville, Ontario, Canadá. (Sugestão de M. Sampaio, obrigado).

Face Oculta: mais escutas

Depois do "SOL" ter ontem revelado o teor de (diz o jornal) algumas escutas envolvendo Armando Vara, e onde José Sócrates era citado como tendo um plano para controlar a Comunicação "desafecta" ao Governo e ao PS, este sábado é o Correio da Manhã que traz novas revelações e novos trechos de alegadas escutas.

sexta-feira, 5 de Fevereiro de 2010

intervalo para a parvoeira...

Jazz no Centro Cultural de Redondo

José Sócrates este sábado em Vila Viçosa

O primeiro-ministro José Sócrates vai estar este sábado em Vila Viçosa na cerimónia de adjudicação dos Concursos de Redes de Nova Geração nas zonas rurais do Alentejo. A cerimónia está marcada para as 11,15 horas no Terreiro do Paço Ducal.

Coligação negativa ou falta de prática democrática?

Os partidos da oposição aprovaram hoje, na votação final global, a proposta de alteração da lei das finanças regionais em total divergência com o Governo. As alterações foram aprovadas com todos os votos a favor da oposição, num total de 127 e com 87 votos contra do PS. O parlamento já tinha aprovado na generalidade e na especialidade as alterações à Lei das Finanças Regionais com os votos contra do PS.

Perante esta situação, uma pergunta se impõe: Será que as oposições – dois partidos de direita e três de esquerda – se “coligaram” para ”tramar” o PS ou será que a este falta prática democrática, que o impede de admitir que 127 deputados, de dois partidos de direita e três de esquerda, podem ter mais razão do que 87 de um único partido, que, quando em maioria absoluta, impôs uma Lei, contra todos os outros?
É claro que a situação em que se encontram as finanças públicas, em que o partido do governo, para além da crise internacional, tem responsabilidades, não deve ser ignorada nem subestimada. Mas também não devem ser ignoradas nem subestimadas as regras da DEMOCRACIA, que deve sobrepor-se aos argumentos orçamentais ou conjunturais.

Almendres: um lamento nas ondas da rádio

Fernando Alves, um grande senhor da rádio e da vida, companheiro de alguns de nós deste blog, veio há dias a Évora numa viagem familiar. Decidiu ir aos Almendres e sujeitou-se ao que todos nos sujeitamos quando lá vamos: a um caminho inclassificável, próprio de um "território bombardeado". Foi esta manhã, nos Sinais da TSF.
Pode ouvir aqui a crónica de uma viagem a que muitos turistas são obrigados.  Uma viagem "penosa" para um "lugar mágico".
(obrigado Carlos André!)

A Realidade do País

A Realidade do País no rápido e arguto olhar de Edgar Alain Prost.

Alcáçovas: debate com ministro da Agricultura

Vincent Van Gogh 

A Associação Alentejo de Excelência, promotora do Fórum Alentejo 2015, vai realizar mais um debate de reflexão sobre temas que interessam para um desenvolvimento sustentado no Alentejo. Assim, a Conferência-Debate “A nova Agricultura Alentejana: desafios e oportunidades”, vai ter lugar em Alcáçovas, na Sala de Conferências da Sociedade União Alcaçovense, este sábado, dia 6 de Fevereiro, pelas 15.30h. Como oradores estão confirmados o Ministro da Agricultura António Serrano e o deputado do PSD Luís Capoulas (ex-Secretário de Estado da Agricultura e empresário agrícola).
 (fonte Associação Alentejo de Excelência)

PRODER: os agricultores tinham razão

O ministro da Agricultura, António Serrano, considera que os "agricultores tinham razão" quando acusavam o anterior ministério de não promover o PRODER com a eficácia necessária. Numa grande entrevista ao semanário Correio Alentejo, que se publica em Beja e que está hoje nas bancas, António Serrano diz estar "convencido que os agricultores, de facto, tinham razão. O programa arrancou com dificuldades, tarde, e nós, quando tomámos posse, foi das primeiras prioridades que colocámos: dar um impulso forte ao PRODER [Programa de Desenvolvimento Rural]. Este ano de 2010 deverá ser de normalidade e [nesse sentido] estamos a trabalhar com as associações e confederações para simplificar e monitorizar o PRODER".

O ministro, que é natural do distrito de Beja, revela também que "o preço da água de Alqueva vai ser anunciado este mês e que o papel da EDIA, no futuro, poderá ficar decidido até ao Verão". António Serrano diz ainda que está a trabalhar para "procurar soluções numa área complexa", como é a agricultura, e assume que não pretende "agradar a toda a gente".

O Pensador


Pierre Pinoncelli, o contra-artista performer francês que, em Nimes (1993), deu uma mijadela na Fontaine de Duchamp (mais tarde dá-lhe umas fortes marteladas no Pompidou), reinterpreta Le Penseur de Rodin.

Talvez pensar, neste mundo transformado quase todo em gigantesca cidade, seja apenas um luxo de casa de banho. A maior parte do tempo estamos nas filas de trânsito impacientes e enervados. Já agora, este artista criou um engarrafamento monumental em Paris correndo disfarçado de múmia ensanguentada por entre os automóveis… A neurose citadina cria conflitos desnecessários, não o conflito que nos faz parar.

Não são as chamadas redes sociais (e também os blogues), uma tentativa de restaurar a comunicação entre pessoas cada vez mais isoladas?

Não é preciso ser-se neo-realista para saber que um homem só não vale nada.

Évora: Convento de São Bento de Cástris saqueado e vandalizado

"Coitado desse convento. Está todo pilhado e vandalizado. Tiraram de lá a polícia e o saque tem sido enorme! ONDE PÁRA O IGESPAR E A AUTARQUIA?

Anónimo
04 Fevereiro, 2010 21:30"

"Plano para controlo da TVI"

quinta-feira, 4 de Fevereiro de 2010

Ai o interior, ai o abandono

Plinio Nomellini (1866-1943). The Strike, 1889. Colecção Privada

Ai o interior.
Ai o abandono.
Em Dezembro, a Segurança Social anunciou que os pagamentos das prestações sociais (abonos, desemprego, RIS) iriam ser pagos através de cheques não endossáveis.
Os cheques são do BPI ou do Santander.
Muitos dos visados não têm conta bancária.
Hoje para abrir conta, não é fácil.
Aliás, só na CGD é possível fazê-lo sem ter de apresentar recibos de vencimentos, comprovativos de IRS, etc.
Até aqui estas pessoas endossavam os cheques aos comerciantes locais (bombas de gasolina, panificadoras...) e era-lhes entregue o dinheiro.
A Segurança Social não enviou cartas aos interessados, apanhando-os, na sua maioria, completamente desprevenidos.
Acresce que, muitos dos abrangidos, não sabem ler nem escrever.
Alguns nem sabem do cartão de contribuinte.
Não sabem preencher um cheque.
Não sabem utilizar o multibanco.
Estiveram e estão dias e dias sem ver a cor do dinheiro.
A Segurança Social, mais uma vez, actuou com desmazelo, com sobranceria, num total desrespeito para com aqueles que deveria prioritariamente proteger.
Nas cidades é fácil ir a um banco, recorrer a alguém para levantar dinheiro de uma caixa automática.
No interior as pessoas, muitas pessoas, vivem distantes de tudo, grande parte delas isoladas, a maioria de idade já avançada, impreparadas para os "novos tempos".
Silenciadas!!!
Que raio de sociedade é esta?
Em que os que têm tudo, menos rosto, já se sabe, depois de terem saqueado miseravelmente os bolsos do POVO se comprazem agora em roubar-lhe a dignidade?
Os nossos velhos, os nossos desprotegidos merecem mais, se não lhes conseguimos dar o conforto que merecem, ao menos o respeito que exigimos para nós, temos de exigir para eles.
Não haverá uma solução, mais simples, mais justa, mais humana?
E não me venham com a história que isto é para os proteger dos mal intencionados que para aí andam.
Porque esses, sabemos nós bem quem são e onde estão.
Desculpem-me a expressão, mas já estou farto desta M........ em que nos estamos a tornar.
M. Sampaio
04 Fevereiro, 2010 15:12

Só fumaça, como se previa

Teixeira dos Santos veio dizer o já dito. Para que amanhã a Lei das Finanças Regionais não seja votada favoravelmente. E a lançar um derradeiro apelo a Cavaco para que, se a lei for aprovada, possa não ser promulgada.

Crise política no horizonte? Eleições à vista?...

... ninguém sabe. Manuela Ferreira Leite foi chamada a S. Bento para reunir com José Sócrates. Teixeira dos Santos, o ministro das Finanças, vai falar à hora dos telejornais. Eu, pessoalmente, não acredito que Sócrates se demita por causa da Lei das Finanças Regionais. Quanto a Teixeira dos Santos admito que se possa demitir. Mas também é pouco provável. Digo eu.

Évora: Antónia Fialho Conde publica livro sobre Mosteiro de S.Bento de Castris

 
Esta sexta-feira, dia 5, às 18 horas, na Biblioteca Pública de Évora, vai ser apresentado o livro de Antónia Fialho Conde "Cister a Sul do Tejo. O Mosteiro de S. Bento de Cástris e a Congregação Autónoma de Alcobaça (1567-1776)”.
Segundo as Edições Colibri, que edita a obra, “o presente trabalho visa sublinhar a presença da Ordem de Cister a Sul de Portugal através da comunidade feminina de S. Bento de Cástris, mosteiro que foi pioneiro na história religiosa da cidade de Évora, quer enquanto retiro eremítico quer na implantação da vida conventual fora dos muros do burgo”
O estudo  “ prolonga-se até 1776, ano da exclaustração da comunidade por imposição da legislação pombalina”, sendo este trabalho de “particular importância para a compreensão da história local e regional, num período significativo da sua história, contribuindo ainda para um melhor conhecimento acerca da presença, neste caso, da Ordem de Cister em Portugal e, mais especificamente, no Sul do país”
A autora, Antónia Fialho Conde, é doutorada em História e mestre em Recuperação do Património Artístico e arquitectónico. É Professora Auxiliar do Departamento de História da Universidade de Évora, onde lecciona nas áreas científicas de História Moderna e de Património, participando habitualmente em eventos científicos de âmbito nacional e internacional nestas temáticas.

Prepare-se para, quando se separar, devolver as prendas que lhe deram

Geralmente Portugal importa tudo. Qualquer modazinha que apareça aqui ou ali vem cá logo parar, e mesmo que seja uma nulidade, será apresentada como a maior descoberta da humanidade. Tem sido assim em quase tudo desde as "novas" teorias da educação, à política, à filosofia, ao quer que seja. E se vem da Alemanha ainda pior: é logo adoptado sem a mínima hesitação. Por isso não devemos esperar muito para que esta norma seja transcrita para português. Escreve a agência Lusa que "em caso de divórcio, os sogros podem exigir aos genros ou noras a devolução das prendas. A decisão foi tomada pelo Supremo Tribunal da Alemanha". Segundo a notícia "se o casamento fracassar, a base para os presentes deixa de existir", e poderá ser exigida a devolução total ou parcial dos mesmos, sobretudo quanto se tratar de dinheiro ou de bens valiosos. Na origem desta sentença encontra-se o caso de um noivo, que recebeu 29 mil euros dos sogros para comprar um apartamento. O casal teve dois filhos e viveu seis anos no apartamento, em nome do genro, mas posteriormente divorciou-se.(Ler Mais).
O melhor é cada um de nós se ir preparando e ter uma contabilidade exacta das prendas dos sogros. Não vá depois haver surpresas...

Governo agenda reunião sobre traçado da ferrovia Sines-Grândola Norte

A Comissão constituída pelas Câmaras Municipais de Santiago, Grândola e Beja, a Associação Protectora do Montado e a Quercus (Núcleo do Litoral Alentejano) vai ser recebida no próximo dia 9, (terça-feira), às 10h30, pelo Secretário de Estado dos Transportes, Carlos Correia da Fonseca. No encontro vai estar também o Professor Costa Lobo, do Instituto Superior Técnico, responsável pela equipa de Revisão do PDM de Santiago do Cacém. Em causa está a anulação do traçado Sines - Santiago do Cacém (Relvas Verdes) – Grândola Norte. Numa nota distribuída à comunicação social pela Câmara de Santiago, o presidente da autarquia, Vítor Proença, diz esperar que na reunião de terça-feira, a comissão “obtenha garantias do troço alternativo com recurso ao aproveitamento por parte do ramal de Ermidas- Sado”.

(fonte: Câmara Municipal de Santiago do Cacém)

Haiti

João Francisco Guerreiro é o autor desta foto. É jornalista da TSF e regressou recentemente do Haiti onde esteve em reportagem. Natural de Castro Verde, João Francisco Guerreiro testemunhou dramas humanos, dor e miséria.  Pedi-lhe que escolhesse uma foto das muitas que tirou e escrevesse meia dúzia de palavras sobre o que viu no Haiti. Escolheu esta fotografia e estas palavras:
"O Champ de Mars está transformado num campo de desalojados. Em frente à ruína do Palácio, símbolo nacional estampado na notas de 100 Gourdes, vivem centenas de famílias. Mais de duas semanas após o sismo há quem não tenha visto um médico. A água corre fétida pela berma da estrada. Um pedaço de carne custa 22 dólares. Há fome, miséria e sofrimento por aqui".
Obrigado João. Foi também pela voz, pela escrita e pelas imagens dos enviados portugueses ao Haiti que ficámos a conhecer melhor a dimensão desta tragédia que, segundo números recentes, fez mais de 200 mil mortos e centenas de milhar de feridos.

quarta-feira, 3 de Fevereiro de 2010

A crise!

Já se entregou, em Castro Verde, às autoridades o empresário de hotelaria que durante vários dias esteve barricado no seu restaurante, resistindo a um auto de penhora das instalações por parte de uma entidade bancária.
Eu conheço Fernando Alvinas há muito tempo e sei que esta só pode ter sido uma atitude de desespero e de revolta. À rádio Voz da Planície, de Beja, enquanto se recusava a sair, Fernando Alvinas disse “estar a defender os seus bens” e que pretendia acima de tudo “um acordo para continuar a trabalhar” e ao mesmo tempo chamar a atenção da opinião pública para “os poderes instituídos contra quem trabalha”. 
São os efeitos da crise, cada vez mais acentuados, para quem está desempregado, tem uma micro ou pequena empresa, trabalha por conta própria, com uma porta aberta (um restaurante, como era o caso) ou tem dívidas à banca (como também era o caso).  Como cantava o Zeca, "eles comem tudo e não deixam nada". São as aventesmas de sempre "chupando o sangue fresco da manada". Mas há sempre quem recuse fazer parte do rebanho. Que resista e diga não!

Buster Keaton

“Deus gosta das famílias dos animais, dos ninhos, das ninhadas, mas das pessoas não. Por isso, para Deus, a maior invenção da humanidade é a contracepção.” Adília Lopes dixit. E está bem apanhado, sim senhora, mas toda a gente sabe que Deus é uma das piores invenções da humanidade. Uma das melhores é sem dúvida a comédia.

Castro Verde: tá o "balho armado" entre o "coro" e o "pároco"

A blogosfera em Castro Verde parece "lançar fogo". O blog castroaosul deu a notícia e postou o comentário. As relações entre um novo pároco e o coro antigo azedaram, e o coro, já com um CD gravado e que participava nas cerimónias religiosas, foi impedido de ensaiar na igreja, o mesmo é dizer, que os seus "serviços" foram dispensados pelo prior. Os comentários no blog são mais do que muitos e a coisa ainda está em riscos de piorar.
E escreve o postante, João Nuno Sequeira "(...), estalou completamente o verniz das relações entre coro e pároco, que se recusou a permitir a abertura da Igreja dos Remédios para que se efectuasse o tradicional ensaio semanal, deixando na rua quase três dezenas de pessoas, tendo alegado que o coro não ensaiava mais dentro das suas Igrejas, e que não participavam mais nos serviços dominicais. (...)Pergunta-se: que moral tem este sacerdote para pregar a tolerância e a compreensão? Quantos pecados, para além da avareza, cometeu este sacerdote desde que chegou a Castro Verde? É caso para dizer ao Senhor Padre, que a porta de saída é a mesma de entrada, e é serventia da casa. A estrada está aí, ponha-se ao caminho que já está a mais por estas bandas." (LER MAIS)
Ui, ui, até escalda!

Carlos Braumann eleito novo reitor da Universidade de Évora


Carlos Braumann foi eleito reitor da Universidade de Évora. O Conselho Geral necessitou de uma segunda volta para assegurar a maioria absoluta. Carlos Braumann é professor catedrático do Departamento de Matemática e era um dos sete candidatos à eleição para reitor da Universidade de Évora que decorreu esta tarde.
Carlos Braumann, que substitui Jorge Araújo à frente da Universidade, conquistou 15 votos do Conselho Geral, contra nove obtidos pelo candidato Carlos Marques.  Houve ainda um voto em branco. Na primeira volta Ana Freitas obteve 5 votos, Heitor Reis 6 votos, e Carlos Braumann e Carlos Marques tinham ficado empatados com 7 votos cada.

João Cordovil em funções na CCDRA desde 1 de Fevereiro

O novo presidente da CCDRA João Cordovil está já em funções efectivas desde segunda-feira, dia 1 de Fevereiro. Ainda que o despacho de nomeação, assinado pelo primeiro-ministro e pelos ministros do Ambiente e da Economia, não tenha sido publicado terá efeitos retroactivos àquela data. Pelo que o acincotons apurou a nomeação de Lina Jan foi uma escolha directa do novo presidente da CCDRA, a quem foi dada "carta branca" para escolher o resto da equipa. A mesma fonte disse que Florival Ramalhinho afinal não irá ocupar a outra vice-presidência, estando os dois lugares ainda em aberto (vice-presidência da CCDRA e vogal não executivo nomeado pelo governo no INAlentejo) a serem alvo de um aceso debate nas estruturas locais do PS de Évora e Portalegre, havendo quem considere esta nomeação, mais técnica do que política, como negativa para o equilíbrio entre as diversas sensibilidades a nível regional. Daí que pareça ser provável que um dos nomes em falta possa vir de Portalegre, embora o seu perfil tenha que ser, também, necessariamente, mais técnico do que político, disse esta fonte contactada pelo acincotons.

o cagaço de existir...

O Crespo-gate é exemplar, na medida em que mostra a pequenez cívica dos nossos governantes e etc. Mas não é surpreendente. Afinal, vivemos há muito poucos anos em democracia e, provavelmente, como dizia o velho Kant, as mentalidades não se revolucionam, reformam-se (lentamente).
É caso para dizermos: merda, a tradição ainda é o que era.

Apesar de tudo, o elogio do jornalismo

Ao contrário do que muitos dizem e insinuam, talvez olhando-se a um espelho na sua actividade diária, o jornalismo mantém-se como espaço de procura da verdade e de isenção, numa sociedade complexa e cheia de contradições e de lobbies. São dois objectivos muito difíceis, quase sempre distantes, mas enquanto forem objecto de busca e constituírem a filosofia básica da profissão, o jornalismo, com todos  os defeitos, tensões e contradições, que também tem, como qualquer actividade humana, afirma-se como um garante da cidadania e da verdade. Ou das verdades. 
Este texto de um jornalista e professor universitário brasileiro, citado no site do Clube de Jornalistas, é uma expressão disso mesmo. Contra os velhos do restelo que não se cansam de, propositadamente, querer confundir a árvore com a floresta.

Escreve Eugêne Bucci:"Não tenham medo da liberdade. Não concedam. É dentro dela que irá prosperar o que de melhor vocês têm a oferecer para a sociedade. É dentro dela que vocês irão amadurecer. Descuidar da liberdade seria como descuidar dos meninos e meninas que vocês devem guardar vivos pelo futuro afora. Vocês, assim como todos os jornalistas, não têm o direito de renunciar à liberdade. Não renunciem. Não renunciem e verão que o nosso ofício é feito de uma paixão inigualável, emocionada e justa, de uma combinação rara entre a ética e a estética, entre política e arte, que a diferencia de todas as outras profissões".

E chegámos aos 1000 posts

E o Alentejo não é periférico?

Nada tenho contra as autonomias da Madeira e dos Açores. Pelo contrário: acho que a regionalização aprofundada e as autonomias regionais podem constituir instrumentos extremamente fortes para o desenvolvimento regional e para a afirmação de culturas e de saberes diferenciados. O caso de Espanha parece-me exemplar: sem as autonomias duvido que o Estado Espanhol tivesse hoje a afirmação que tem na Europa e  no Mundo.
Vem isto a propósito da alteração da Lei das Finanças Regionais que, por estes dias, tem animado o debate político. Por entre o bruá-bruá tenho tentado informar-me. As questões da solidariedade e da insularidade constituem os argumentos para que Alberto João Jardim continue a receber avultadas transferências com que vai tecendo as suas redes clientelares. Mas esses argumentos hoje já têm pouco significado, ou bem menor do que há alguns anos atrás, quando olhados duma forma mais global. Ou seja, a Madeira tem  um índice de rendimento per capita superior à média nacional. O IVA é ali mais baixo do que no continente. Todos os impostos cobrados na Madeira destinam-se ao Governo regional, que os usa como bem entende, mas que ao mesmo tempo ainda recebe transferências de verbas do Governo Central para o pagamento de alguns serviços e outras destinadas a garantir uma maior "coesão nacional".
Quando comparadas com a Madeira, regiões como a Beira-Interior, Trás-os-Montes e Alentejo vivem uma situação de total desigualdade, sem que a solidariedade de uma região mais rica - a Madeira - se faça sentir relativamente a elas. Pelo contrário, o reforço de verbas e o aumento da capacidade de endividamento do governo regional só vai acentuar o fosso entre as regiões mais ricas e as mais pobres. E o argumento de que na Madeira ainda há muita pobreza também é redutor: trata-se, isso sim, da necessidade de uma redistribuição diferente da riqueza produzida.

Sines