Segunda-feira, 19 de Março de 2012

GREVE GERAL



A Greve Geral mais do que uma manifestação de força dos trabalhadores, é uma etapa na luta dos explorados, dos excluídos, daqueles que estão no desemprego, dos que estão sujeitos a um vínculo precário no seu trabalho, dos reformados, dos pensionistas, dos que se veem forçados a arrostar com a doença por não terem dinheiro para pagar os cuidados de saúde a que têm direito, daqueles que não podem concluir os seus estudos por falta de meios, dos que têm de optar entre o transporte ou uma refeição condigna para irem trabalhar, dos que se veem despejados das suas casas por falta de pagamento, daqueles que sofrem por ver os filhos com menos do que eles tiveram quando foram crianças.
A greve geral é um grito de revolta, um aviso contra a indignidade do roubo quotidianamente feito a quem já nada tem, por aqueles que tendo tudo, querem sempre mais.
 A greve geral é, tem de ser, um momento de solidariedade para com todos os que não tendo voz, têm os mesmos direitos, lutam a mesma luta, sofrem os mesmos ataques, vivem na pele os efeitos da arrogância e da prepotência dos que se julgam donos deste país.
É importante que os que ainda têm emprego e comida na mesa e teto para se abrigarem, compreendam que os milhões de desempregados também já tiveram isso e também já tiveram sonhos. É importante que compreendam que os direitos sendo de todos não são fraccionáveis, e que se hoje são roubados a uns, amanhã serão negados a todos.
Não há meias tintas, ou agarramos o destino nas nossas mãos e lutamos, ou ficamos imóveis e perdemos.
Perdemos tudo! Até a nossa dignidade, que não é mais do que o respeito que temos por nós próprios…

A propósito do Dia do Pai, Luís Afonso no seu melhor

(clique na imagem para aumentar)

Évora: começa hoje mais um ciclo na Igreja de São Vicente


Hoje
segunda-feira
19 de Março pelas 22h
Jam Session de Contacto-Improvisação
com as vozes de Mara Perfil e Daniel Catarino

Domingo, 18 de Março de 2012

"O grupo que tomou conta (do PCP) ... é suficientemente competente para não permitir que ponham em causa o seu poder"

(Lopes Guerreiro com Luís Sá em Vila Nova da Baronia - daqui)

Lopes Guerreiro, antigo vereador da Câmara de Beja, ex-presidente da Associação de Municípios do Distrito de Beja, ex-presidente da Região de Turismo "Planície Dourada" e ex-presidente da Câmara Municipal de Alvito tem demonstrado nos últimos anos o seu "desencanto" face ao "rumo" seguido pelo PCP, o seu partido de sempre e de que se desvinculou já no início deste ano. Pode-se perceber melhor porquê num texto que Lopes Guerreiro publica hoje no seu blogue. Escreve o actual director executivo da ExpoBeja que "... bastam estes (...) exemplos para mostrar o meu cepticismo quanto à capacidade do PCP se regenerar/renovar. Acho que o grupo que tomou conta da Direcção, aquando da saída de Carlos Carvalhas, é suficientemente competente para não permitir que ponham em causa o seu poder, usando a velhinha fórmula de fazer algumas mudanças para que tudo continue na mesma". 

Por falar em greve geral




"Os desempregados são trabalhadores!"

Greve Geral

(Gui Castro Felga)

Sábado, 17 de Março de 2012

Salvemos a Pátria


Quando olho para esta foto de Dorothea Lange, tirada no período  da Grande Depressão e vejo a profusão de candidaturas expostas na montra de um loja, não consigo deixar de pensar na irracionalidade que se apodera das pessoas em tempos de crise.
Uns porque se julgam os salvadores da pária, outros porque acreditam genuinamente  que tais salvadores existem.
As soluções, forçosamente colectivas, passam a ter um rosto, alguém palpável, um estandarte da esperança.
Só que a maior parte das vezes, essa esperança cedo de transforma numa desilusão totalitária...

Do trabalho duro e da arte bruta


Até que desembrulhadas poderiam ser instalações do escultor Javacheff Christo, ainda que este goste mais de embrulhar coisas magnificentes. Possivelmente, se por este sul errasse, teria a gula estética de enroupar estes montões de pedregulhos espalhados ao deus-dará pela folha de cereal. Montões oriundos da despedrega da terra para facilitar a semeadura e a ceifa do grão. Que tanto calhau de granito arrumado pela criação do mundo, eram uma moenga de desarrumação para a produção. Que o digam as aivecas e relhas dos arados que ficavam no fio enquanto o diabo esfregava um olho.

Fito estes enormes ninhos de granito e abala-se-me a imaginação para ponderadas obras de arte. Obras que sem o polimento, a geometria e a finalidade das pirâmides, antes o são de arte bruta. Arte bruta, parida pelo imaginário de Homens compensados entre a rudeza e a delicadeza para com a vida. Porque rude era a lida à unha secundada por carros de parelhas de bois ou muares, ásperos! Porque sabiam ler nas entrelinhas da mãe natureza e acarinhá-la, afáveis! Homens que labutavam duramente, nutridos a mirrados almoços, jantares e ceias na planície heróica.

Quinta-feira, 15 de Março de 2012

E no Alentejo como vai ser desta vez?


Do Mestre João Chilrito Farias


João Chilrito Farias nasceu a 10 de Novembro de 1928 na Aldeia da Luz. O pouco que sabe das letras e dos números aprendeu na escola da vida, já que na outra não teve o direito de entrar. Manifesta-se no título do seu livro de poesia “Chamam-me Poeta e Artesão porque faço versos e cadeiras”. Mestre digo-o eu, já que de tanto calcorrear a existência tem um “mestrado” concedido pelo mérito nos vários mesteres que lhe calejaram as mãos e o saber. Poeta e artesão foram afazeres de toda a vida, mas também foi ceifeiro, carreiro e trabalhador emigrante.
Os Baldios
I
Havia antigamente
Aqui terras baldias
Que pertenciam a toda a gente
Residente na freguesia
II
Até que chegou um dia
Que tudo veio acabar
São essas regalias
Que era bom reconquistar
III
A coutada e o baldio
Património da freguesia
Agora um campo vazio
Que queremos preencher um dia
IV
Não se sabe quem seria
De tudo isto culpado
Certamente não estaria
Por este povo interessado

Ainda

Faltam apenas alguns dias para dar entrada na Unesco a candidatura do cante alentejano a Património da Humanidade. São os dias mais difíceis para a nossa maneira de cantar. Desde que temos esta maneira de cantar. Porque são dias de aperto, de grande ansiedade, de indefinição e, antes de tudo, de divisão. 
Neste instante o cante está entrincheirado. Está partido, perdido, entre duas forças que o disputam mais no campo da batalha política do que nas suas searas de nascença. 
A Câmara de Serpa, certamente por ter trabalho adiantado na matéria, decidiu avançar repentinamente para esta candidatura. Sozinha, de início. Agregando outras autarquias, entidades, grupos corais, agentes culturais ao longo do processo. Mas não todos. Não o cante todo. Todo o cante do mundo. Pelo que é repetidamente acusada de desmedido e despropositado protagonismo numa matéria que diz respeito a um território muito mais vasto que o seu. 
Os detratores desta candidatura acusam-na, à Câmara de Serpa, de se estar a apropriar indecorosamente do mais valioso bem comum que o Alentejo tem. Que o Alentejo todo, em todas as partidas do mundo, tem. Embora saibamos que o cante costuma acontecer numa área de influência muito coincidente com o distrito de Beja. Mais cuidadosos, ou realistas, talvez, os cientistas acham que a candidatura sofre de insanáveis lacunas técnicas e metodológicas, enfermidades que deveriam ser sanadas em tempo próprio. E que esta candidatura, que é unânime, afinal, deveria sofrer um adiamento de, pelo menos, um ano. Para não se correr o risco de vir de Paris recusada. 
E o curioso desta questão é que todos parecem ter razão. Sem que haja qualquer razão para dizimar a unidade, ainda que diversa, que nos faz cantar a todos, lado a lado, ombro a ombro, geração após geração. É que o cante já é património da Humanidade. A Unesco é que talvez não saiba. Ainda.

Paulo Barriga
(Editorial na edição do "Diário do Alentejo" desta semana)

DA 1560


A crise que vivemos não tem só a ver com factores externos. Tem a ver com o roubo continuado a que temos sido sujeitos.

Bastava ver as facturas da electricidade ou seguir as manobras de publicidade e de propaganda que a EDP, pela mão de António Mexia, tem levado a cabo nos últimos anos, para perceber que havia marosca na coisa. Mas a demissão do secretário de estado da energia veio trazer à grande maioria dos portugueses uma certeza: nos governos de Sócrates e agora de Passos Coelho quem tem, de facto, dirigido o sector energético tem sido António Mexia, servindo integralmente todos os interesses da EDP em detrimento dos interesses dos consumidores. Nos tempos do governo de José Sócrates (com Carlos Zorrinho na Energia) foi entregue à EDP, a preços de "uva mijona", concessões em inúmeras barragens (Alqueva é um exemplo) - concessionadas por 750  milhões, mas logo apresentadas pela EDP como valendo 2 mil milhões de euros, (segundo Mira Amaral) - e contrapartidas leoninas no caso das energias renováveis, da compensação dos desequilibrios dos CMECs, etc.
Ontem à noite tudo isso esteve em cima da mesa na SIC noticias no programa de economia coordenado por José Gomes Ferreira. Mira Amaral, um dos convidados, (que até sabe da "poda") não teve "papas na língua": "nos últimos anos António Mexia foi o verdadeiro ministro da Energia e continua a sê-lo"; "nos Estados Unidos a EDP renováveis vende o megawatt/hora de energia eólica a 40 euros; em Portugal esse mesmo megawatt hora vale 90 euros", "o governo tem sido enlameado nos negócios da EDP" ou" a EDP renováveis tem 6% das suas vendas em Portugal, mas é aqui que obtém 50 por cento dos seus lucros". Foi uma hora de verdadeiro "serviço público" como disse José Gomes Ferreira. A jornalista Helena Garrido e o dirigente da Deco José Morgado consideraram também "insustentável esta situação".
Assim se vê a forma como Portugal tem sido governado - as grandes empresas capturaram o Estado para seu próprio beneficio e tem sido um "fartar vilanagem": parcerias público privadas, concessões, manutenção de monopólios e exclusividades, tudo isto mostra à saciedade, ao longo dos anos, como o interesse público tem sido sujeito à voracidade dos interesses privados e empresariais que nos levaram à situação de penúria e subdesenvolvimento em que o país se encontra. E que não tem apenas a ver, nem sobretudo, com factores externos. Mas com o roubo descarado de que todos temos sido alvo ao longo dos anos.




Quarta-feira, 14 de Março de 2012

"Exposição Itinerâncias: Artes Visuais, Design e Género"

A Câmara Municipal de Évora inaugura no Palácio de D. Manuel, amanhã,  dia 15 de março, pelas 19 horas, a exposição “Itinerâncias: Artes Visuais, Design e Género”, organizada pelo Departamento de Artes Visuais e Design (DAVD) da Universidade de Évora, em parceria com a União de Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR).

Em Julho de 2011 alguns docentes do DAVD organizaram uma Pós-Graduação em Artes Visuais e Género, que suscitou o interesse da UMAR, que está a desenvolver um projeto incidindo na Região do Alentejo, intitulado Biblioteca Itinerante pela Igualdade de Género. Este projeto, com a duração de 18 meses, envolve14 concelhos da região, entre os quais Évora, e neste período serão promovidas Semanas pela Igualdade de Género, em estreita coordenação com parceiros locais. Neste sentido, a DAVD e a UMAR decidiram unir sinergias e desenvolver uma iniciativa conjunta, que resultou nesta exposição “Itinerâncias: Artes Visuais, Design e Género”.

O termo Género teve origem no Feminismo, movimento que surgiu no final da década de 70 do século XX, e se afirmou como uma construção social e cultural de atributos definidores do homem e da mulher, o que determina as relações entre os sexos em diversas dimensões. As artes visuais, ao exporem estereótipos culturais sobre Género, ao politizarem a ligação entre o público e o privado, ao explorarem a natureza da diferença sexual, examinam muitas vezes a especificidade de corpos marcados pelo Género, raça, idade e classe. Tendo em conta que o ensino universitário deve estar atento aos interesses que a sociedade manifesta, proporcionando-lhe momentos de formação, reflexão e criação, esta exposição procura apresentar projetos artísticos coerentes em contextos alargados e multidisciplinares, que visam contribuir, através da criação artística e da sua exposição, para a eliminação das desigualdades de Género e outras.
Além do estímulo estético inerente a qualquer mostra, estas exposições procurarão que os visitantes reflitam sobre conceitos e construções sociais como: identidade, direitos humanos, paridade, igualdades e desigualdades de Género. Os trabalhos em exposição são de alunos e ex-alunos da Universidade de Évora, foram submetidos à apreciação de um júri, e incluem fotografia, vídeo, pintura, desenho, escultura, performance, objetos de design, entre outros.
Esta exposição estará aberta ao público até ao dia 5 de abril, podendo ser visitada de segunda a sexta-feira, das 10:00 às 12:00 e das 13:00 às 17:00, e sábados só no período da tarde, encerrando ao domingo. (nota de imprensa da CME)

Formas de força no protesto social



A partir da Andaluzia faz-se do "flamenco" uma arma de luta contra os abusos da banca.
Ora em intervenções a solo, ora em grupo, "portadores de  flamenco" irrompem de surpresa nas agências bancárias e, por um breve lapso de tempo, apoderam-se delas.
Com a esperança num julgamento da banca  e dos governos corruptos em  Nuremberg, estas ações são uma pequena amostra do que está para vir, avisam os promotores desta forma de intervenção. E apelam ainda a que se junte o nosso ao seu protesto.

Assembleias de Rua



Há muitos alentejanos, mas a maioria não habita o Alentejo, não vota no Alentejo, não paga impostos no Alentejo e os seus filhos pouca ligação têm à terra dos pais, porque nasceram longe na diáspora e já são outras as suas raízes.
No Alentejo, este imenso sul, vivem menos de quinhentas mil pessoas, menos do que aquelas que habitam Lisboa ou o Porto.
As terras estão ao abandono a indústria é residual, o comércio é o que se vê e os serviços… bem os serviços vão desaparecendo à medida das pessoas.
O Estado, na sua sanha contra tudo o que seja serviço público, fecha escolas, fecha centros de saúde, prepara-se para acabar com as juntas de freguesia, elimina transportes, isola as pessoas. Sofrem mais os idosos, muitas vezes ignorados em montes sem acessos nem transportes, sofrem mais as crianças, sofrem mais os mais fracos.
Existem partidos e deputados eleitos, existem até instituições criadas para defender os nossos direitos, mas as suas vozes perdem-se neste imenso deserto do abandono a que fomos votados.
Globalmente, Portugal é um dos países que constituem o Alentejo do mundo, não temos voz! Podemos gritar, esbracejar enquanto nos afogamos na crise, mas ninguém nos ouve. Mesmo que tal fosse possível, mesmo que chegasse um fiozinho da nossa voz aos grandes areópagos, outras vozes mais poderosas, as vozes do poder, abafariam os nossos lamentos.
Somos duplamente penalizados, porque somos portugueses, porque somos alentejanos.
Apesar de tudo isto, não nos podemos entregar à nossa sorte, e se não chegamos ao mundo, teremos de trazer o mundo até nós. Como? Olhando para os que nos estão próximos, canalizando os nossos esforços para o local, criando laços, procurando entre nós soluções para os problemas que nos são comuns.
Para isso é necessário diálogo, proximidade, até mesmo para sabermos o que nos separa, porque só com o conhecimento das nossas divergências, poderemos traçar um caminho comum, já que são idênticos os problemas que nos afetam, que nos impedem de crescer.
Este é o espírito das Assembleias de Rua na Praça do Sertório, pessoas de diferentes proveniências que se juntam, que discutem abertamente o que as tolhe, que procuram soluções e que tentam e muitas vezes conseguem, pô-las em prática.
Não existem líderes, nem aproveitamento político/partidário, existem apenas cidadãos empenhados na mudança inevitável e que querem fazer parte dela.
As questões em debate são aquelas que cada um traz, os instrumentos para a sua solução são os que todos podem dar, cada um na sua área. É um imenso ganho social, uma manifestação de vivência democrática.
Por vezes somos poucos, outras mais, chegamos no quinze de Outubro a ser cerca de mil cidadãos, numa manifestação feita sem a intervenção de forças políticas organizadas.
Este é o caminho, o diálogo entre quem quer dialogar, a intervenção com quem quer intervir.
Optamos por reunirmos à quarta-feira, porque é o dia da reunião do executivo camarário, assim, se os eleitos quiserem olhar pela janela, saberão que os eleitores existem e agem e estão atentos.
Apareçam serão certamente recebidos de braços abertos.

Porque hoje é quarta-feira


José Gomes Ferreira: sem papas na língua




Terça-feira, 13 de Março de 2012

Como dispersar manifestações – Almanaque Bertrand de 1908


Ontem, como hoje. Método, por enquanto, assegurado. Amanhã!?...

(gentilmente cedido por um companheiro)

Ó shô Relvas, veja lá como pode diminuir a despesa sem lixar quem trabalha

COMUNICADO COMISSÃO DE TRABALHADORES DA RTP
EXIGIMOS TRATAMENTO IGUAL AO DAS EMPRESAS PÚBLICAS “ADAPTADAS”

Nos últimos dias, os trabalhadores da RTP foram confrontados com o anúncio de que os trabalhadores da TAP e Caixa Geral de Depósitos iriam ser (e muito bem) isentados da redução salarial imposta pelo Orçamento de Estado de 2012, após pedido das administrações destas duas empresas ao Ministério das Finanças.

O governo da República, através do omnipresente ministro Miguel Relvas, explicou ao país que não se tratava de uma exceção, e sim de uma “adaptação” – justificada por estas empresas se encontrarem em concorrência e em fase de privatização.

Para além disso, segundo a opinião da Secretária de Estado do Tesouro, Maria Luís Albuquerque, veiculada numa desastrada e inacreditável entrevista ao Telejornal, as empresas do sector empresarial do Estado “têm acordos de empresa muito generosos”.

Muito generosos? Fala de quê a Srª Secretária? Dos familiares de ministros, contratados para os gabinetes com a atribuição de subsídios extra em Junho e Novembro ou dos salários dos administradores isentos da limitação imposta aos gestores públicos?

Os trabalhadores não milionários da RTP, a quem é aplicado o Acordo de Empresa, e não os contratos individuais das vedetas ou o estatuto de administrador, têm a comunicar à Srª Secretária de Estado que a tabela salarial nesta empresa começa nos 690 euros e acaba nos 4596 euros.

E que estes mesmos trabalhadores não foram nunca tratados como Função Pública para algo que os beneficiasse, tendo sido aumentados abaixo do valor real da inflação quando os funcionários públicos, e muito bem, foram aumentados em 2,9%.

Não está a RTP em concorrência? Então a novela das audiências e a carta da administração à CAEM, são o quê? Manias?

Não está a RTP em processo de privatização? Ou estará a ser nacionalizada pelo governo de Angola?

Da isenta de cortes e altamente concorrencial administração do Dr. Guilherme Costa, os trabalhadores exigem que requeira de imediato ao Ministério das Finanças um tratamento de equidade para a RTP.

É o mínimo que pode fazer depois de ter apresentado lucros de 18 milhões de euros obtidos à conta dos seus trabalhadores, e depois de ter assistido ao exemplo de “decência social” dado pelos gestores da TAP e Caixa Geral de Depósitos.

Se é verdade, como explicou a Srª Secretária de Estado, que o que interessa nas “adaptações” é a poupança global na massa salarial ser a mesma, então:

Que se “adaptem” os vencimentos de todos os que trabalham para a RTP – incluindo estrelas e administradores que, não o sendo, são tratados como tal – tendo em conta o teto máximo defendido pela Comissão de Trabalhadores: 6.980 euros.

Que se “adaptem” os Mercedes Benz e os Lexus.

Que se “adaptem” as despesas de representação.

Que se “adaptem” as festanças e ações de marketing vazias.

Que se “adaptem” os cartões de crédito.

Mas que não se adapte a vida daqueles que, ganhando muito abaixo do que o povo pensa, pagam as favas dos vencimentos e cachets milionários da minoria.

Aquilo que já não é possível adaptar, é a nossa paciência, porque essa, Srª Secretária de Estado, é a única coisa que nesta empresa tem sido muito generosa.

Secretariado da Comissão de Trabalhadores da RTP."

Senhora da vida

foto de óleo sobre tela tirada daqui
Espio os troncos frágeis das ramadas
borbotos grávidos de seiva promessa
folhinhas verdes prestes a chegar
verde sombra depois se tornarão
derramando-se pelo chão
por ora és a primavera sempre nova
ciclo novo da vida renovada
a irromper
dá-me senhora da vida
senhora da esperança de todas as esperanças
olhos para ver
quando o horizonte longe perto
procuro
a beleza que nos cerca
e a todos se dá gratuita
sem nada esperar em troca
presença silenciosa
dominando a fealdade
da usura da guerra
da violência da guerra
anunciada
já implantada
em morte semeada
entre escombros
de cidades e mais cidades
cemitérios
de homens
mulheres
crianças
de todas as idades
não nos faltes senhora da vida
dá-nos
dá-nos olhos para ver
a beleza que tu és
que a todos e tudo cerca
mesmo nas cidades devastadas
onde a humilde erva
de ti irrompe
na esperança dos jardins
cidades um dia
em silêncio projectadas
construidas
pelas mãos de homens construtores
que em esforço e alegria, senhora da vida
na sua humanidade assumida
delinearam sítios
edificaram lares e lugares
terra selvagem transmutavam
o caos em ordem vital
em habitat de mais humanidade
portadorade vida senhora
desejo de mais ser
que por equívoco
a si mesma se destrói
enquanto gera oh mistério
construtores de novas cidades
que dos escombros surgirão
lugares projectados
por amor por teu amor
senhora da vida no coração

Margarida Morgado
Évora, 12-03-2012

Depois de interrompidos durante alguns meses...

... foram retomados os trabalhos de construção da auto-estrada Beja - Sines (IP8). Esperamos que desta vez seja para a construir totalmente, sem mais interrupções.

Acrópole XXI: Câmara de Évora adjudica empreitada


A Câmara Municipal de Évora aprovou, em reunião pública ocorrida no passado dia 22, a deliberação de adjudicação do concurso público “Empreitada de intervenção no espaço público do Centro Histórico de Évora – Acrópole XXI” ao agrupamento de concorrentes, constituído pelas empresas Vibeiras, Sociedade Comercial de Plantas, S.A., e Mota Engil, Engenharia e Construção, S.A., de acordo com o Relatório Final, pelo valor de 1.777.408,34 euros (acrescido de IVA). A proposta recebeu quatro votos favoráveis (PS e PSD) e três contra (CDU). (Nota de imprensa da CME hoje divulgada)

O que alguns só agora parecem começar a perceber


Em 1979 ( já lá vão 33 anos ) era eu uma criança com 22 anos, e já pai de um menino com um anito, quando emigrei para a Suiça. Em Portugal ganhava como ajudante de contabilista 5.400$00 ( escudos ), e na Suiça como operário de uma pedreira partindo pedras com uma masseta, 7 ou 8 vezes mais do que ganhava em Portugal. Mesmo assim com aquela enorme diferença salarial, a lucidez daquela criança de então (não esquecer que já lá vão 33 anos ) não me impediu de em terras helvéticas, escrever em verso, aquilo que só agora alguns com quase 60 anos parecem começar a perceber.
Eis o verso:
Multiplico horas por francos
E os francos por escudos
Só me restam alguns patacos
E burgueses bem pançudos

Manuel António Domingos
13 Março, 2012 08:43

E gente desta diz-se gente?


Andam os patrões ensandecidos porque os sindicatos reivindicam o aumento do salário mínimo que está - e muitos sabem-no porque é o único dinheiro que recebem - nos 485 euros. A proposta da CGTP é que suba para 515 euros, ou seja 1 euro por dia. Já veio o coro dos bandidos protestar. Dos que gastam vários 30 euros por dia apenas em almoços e jantares.  E, por certo, amanhã todos se vão benzer nalguma pia de água benta. Que a pia se transforme em penico e seja mijo o que recebam na fronte!

Barros de Beja

Mesmo em ano de seca extrema, foram semeados das culturas de Inverno e estão a ser semeados das culturas de Primavera, mesmo os que ainda não se sabe quando vão receber a água de Alqueva...